quarta-feira, 28 de abril de 2010

Transbordando.

Acordo cedo. Enrolo 3 minutos na cama. Levanto, e ascendo um cigarro. Um, dois, três, quatro tragos.
Enquanto fumo organizo minhas coisas. Cinco, seis, sete, oito tragos. Enjôo. Apago. Tomo banho. Penso na vida.
Me troco. Sento na cama. Penso na vida. Seco o cabelo. Sinto sono. Arrumo o cabelo — tá muito grande, não fica legal de jeito nenhum. Desânimo.
Coloco as coisas na mochila. Preguiça. Ollho pra cama ainda bagunçada — ela SEMPRE me chama de volta, e eu a ignora. Tenho que ignora-la.
Pego meu óculos, coloco no rosto e ando. Passo pela minha antiga escola. Sinto falta. Bons tempos sem preocupações.
Passo pelo hospital do exército. Passo pelo posto. Espero pra atravessar a rua. Passo na minha amiga.
Nos olhamos. Tédio. Preguiça. Desânimo. Pelo menos temos uma à outra.
Chego no trabalho. Abro a porta pesada com ajuda — sempre. Ligo a chave geral. Deixo tudo funcionando.
Atendo grossos, simpáticos, feios, raramente bonitos, inteligentes, burros, antas, malandros, bandidos, traficantes, nóias.
Espero ansiosamente por 15h30. Espero o Emerson chegar. Vou embora.
Passo na loja da minha amiga. Converso. Fofocamos. Vou embora.
Ando até em casa. Passo pelo posto. Passo pelo hospital do exército. Passo pelo meu antigo colégio — saudades de novo.
Chego em casa. Abro a porta. Coloco a mochila no quarto. Tiro meu notebook e o ligo. Enquanto ele liga eu tiro o tênnis, troco de roupa. Desânimo. Lavo a louça quando tem. Fumo. Nada. Nada. Nada. Nada. Cansaço.
Deito na cama sem me preocupar se está cedo demais.
Lembro dos amigos que se foram. Quanta mágoa.
Lembro das conquistas roubadas. Quanta mágoa.
Lembro das decepções que sofri, mas não demonstrei. Quanta mágoa.
Lembro da minha mãe a 1.000km de distância, lembro que não a vejo faz quase um ano. Quanta saudades, quanta mágoa.
Lembro dos buracos, das feridas, da ausência, da dor... Quanta mágoa.
Penso nas tantas coisas que eu gostaria de fazer, e infelizmente não posso — mas isso não me magoa TANTO, só um pouco... Tá, uma pouco mais do que um pouco.
Quanta mágoa a gente guarda, engole, esconde.
Quando não se tem mais espaço, transborda.

Acho que estou transbordando.

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