domingo, 6 de setembro de 2009

O túmulo vazio de Paula Schuctz.

Ela enxergava sua própria vida como um filme que rebobinava.
Conseguia ver seus olhos abrindo lentamente enquanto a escuridão ia mudando do preto para o marrom.
A terra era deixada pra trás, e os braços giravam sincronizadamente para frente enquanto ela era impulsionada de volta para a vida que lhe fora tirada.
Ela estava parada na frente de uma lápide. Os olhos arregalados e em choque lendo seu próprio nome cravado na pedra: "Paula Schuctz."
Sua mão foi rapidamente levada a boca para impedir que a ânsia do desespero saisse de dentro dela.
Ela se lembrava bem, era seu túmulo, mas ela não sabia porque estava parada "viva" na frente dele. Lendo cuidadosamente cada palavra: "Paula Schuctz 1988-2009 amorosa criança, magnífica mulher." Paula começou a se questionar sobre sua morte e sua possível ressurreição.
Como num lampejo de emoções, Paula queria ver seu rosto em algum espelho — precisava saber como estava sua aparência, já que havia morrido, mas estava viva.
Precisava lembrar-se de algo que havia que passado sem perceber.
Uma vida não pode ser rebobinada, mas um relógio pode retroceder.
O tempo voltara para Paula Schuctz, mas a vida que lhe fora tirada jamais retornaria com a inocência que um dia tivera.

3 comentários:

  1. cara...
    simplesmente perfeito!


    parabens
    e sucesso com o blog!

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  2. Nossa muito legal gostei do texto, eu sei o que Paula viveu pois qwuando vou a cimitérios fico vendo as lápides os nomes e as datas e já ví alguém com meu nome, é assustador, mas mo mundo que vivemos tem muita gente que está viva e parece estar morta, pessoas que vivem a vida parados sem fazer nada, deixando o tempo passar, não vivem a vida como deveriam.

    Seu blog é massa, adorei a cor de fundo, com esse texto então deu um estilo dark

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  3. Parabéns pela crônica..

    Sensacional.

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